Rascunhógrafo
terça-feira, 12 de julho de 2011
Desejo-Imediatismo-Vazio
sábado, 26 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 21 de julho de 2010
BACK TO THE GRUNGE
Texto escrito e originalmente publicado em 30/10/2009
Pois é né, existe aquela teoria de que a música pop sempre volta 20 anos para o passado: Nesta década que já se finda, as principais novidades musicais como o Strokes, o Interpol, o CSS, entre outros, se inspiraram em algumas das vertentes musicais do som dos anos 80. O que de fato aconteceu: em qualquer balada indie o que mais se ouviu e se ouve é, ou as novidades de inspiração retrô, ou os próprios fantasmas dos 80 como Cindy Lauper, Smiths, Cure e Billy Idol (só para citar alguns). As roupas então, nem falo nada, mas aquele lance da Madonna de dançar com roupa de ginástica na divulgação do Confessions on a dance floor já diz muita coisa (teve até quem SE revisitou).
E durante os próprios anos 80, muito do que foi respirado, como alguns discos do R.E.M., tinha clara influência do Powerpop dos anos 60. Bem como nos 90 o grunge do Alice Chains carregava uma certa aura pesada do Metal setentista. Ou mesmo as canções de Kurt Cobain, com sua agressividade punk.
Uma coisa que um jornalista da Rolling Stone (não lembro qual) escreveu, e que até então não tinha me dado conta, é o fato de que muitos monstros mitológicos estão lançando discos regularmente, apesar de não terem vasta e exaustiva cobertura da imprensa. São eles: Sonic Youth, Meat Puppets, Pearl Jam, Alice in Chains e Dinosaur Jr. (para citar os que me recordo agora). E essas bandas, ou são símbolos dos anos 90, ou representaram uma parcela considerável no quinhão de influências que o grunge assimilou.
Outros nomes de peso se não lançam discos, ao menos fazem turnês ou fomentam comentários acerca de possíveis retornos, como: Pixies, Jesus and Mary Chain, Faith No More e Pavement. O que me faz pensar também acerca de uma possível volta das camisas de flanelas dentro de um(ns) par(es) de ano(s).
O que convenhamos: não é impossível.
Se o Interpol de Paul Banks, ao lado do Editors, She Wants Revenge, e mais um punhado de bandas conseguiu “reviver” o pós-punk, que é um estilo bem mais limitado comercialmente que o grunge…
- “O QUÊ?”
- “Esse sujeitinho está sugerindo que o grunge tem potencial para ser explorado apenas comercialmente?”
Vamos deixar a ingenuidade de lado um pouco agora. O Grunge não “morreu” com Kurt Cobain. O que morreu foi o potencial comercial que o grunge representava para o mercado fonográfico naquele momento. Um declínio inevitável que sucede um ápice. Pra tudo é assim. Mas nem por isso o Pearl jam deixou de gravar disco de alta qualidade após disco de alta qualidade, ainda que a sonoridade da banda tenha se expandido para além do “grunge”. O Silverchair mandou dois discos pesadíssimos logo de cara. E eram apenas moleques. Mark Lannegan mesmo sem o Scraming Trees lançou ótimos discos solos e com suas parcerias, ainda que com uma pegada mais folk. (E eu até arrisco dizer, sob risco de ser apedrejado, que o disco de estréia do Radiohead, “Pablo Honey” foi composto sob influência grunge, com suas 3 guitarras, e vastas paredes de distorção, o que não é nenhum demérito, PELO CONTRÁRIO, é um dos meus preferidos dos ingleses) O Queens Of The Stone Age surgiu depois com o rótulo Stoner Rock, mas que em muitos momentos não se difere em nada do tradicional grunge (vide “feel good hit of the summer” do álbum “R”); o Audioslave, que lançou três discos de ótimo calibre com os vocais de Chris Cornell do Soundgarden, o Velvet Revolver, com a loucura de Scott Weiland do finado Stone Temple Pilots, e por aí vai.
Ou seja: os grunges sempre estiveram aÍ. Eles nunca pararam de produzir. REPITO :O Grunge não “morreu” com Kurt Cobain. O que morreu foi o potencial comercial que o grunge representava para o mercado fonográfico naquele momento. E ESSE POTENCIAL PODE SER RESSUSCITADO. Porque a moda trabalha com esse movimento de vai e vem, e de reciclagem, e de ressignificação, até que os significados originais estejam completamente diluídos. Ora, o moicano, que sempre foi um horror social não é moda agora? Claro que não é AQUELE moicano, é um moicano aí, que lembra vagamente “O” moicano. Acho que é o que vai acontecer com a música de Seattle daqui a poucos anos.
Ou seja:
Apesar dos já citados Monstros Mitológicos na ativa (e fazendo trabalhos maravilhosos diga-se de passagem), o que vai se destacar entre a molecada na nova década serão novas bandas grunge, com moleques cuidadosamente produzidos para soarem rebeldes e revoltados com as facilidades da vida moderna e blá blá blá. Aliás, essa seria uma ótima ideia para as gravadoras combaterem o compartilhamento de arquivos (que elas insistem em taxar como pirataria): bandas que critiquem a internet! Melhor parar de dar ideia antes que um executivo de gravadora leia. E esse new grunge surja…
PS: não citei Melvins, Green River, Mother Love Bone, Mudhoney, entre outros. Eu sei. É que eu quis me ater mais ao “que estourou”, por assim dizer.